Então, ela acordou no dia combinado e se pôs a arrumar a casa. Ela que nunca gostou de afazeres domésticos, colocou tudo em ordem com a maior boa do mundo. O motivo era especial! Colocou flores nos jarros, flores com cara de festa. Dobrou os guardanapos de forma artesanal. Escolheu a toalha mais bonita e a colocou sobre a mesa do jardim. Ajeitou as cadeiras de forma que cada uma ficasse de frente para todas as outras.
Às quatro da tarde, foi se banhar. Ela fez tudo correndo pra ver se a hora chegava logo. Mas não, nada fazia o tempo passar de forma acelerada, como nunca o fez passar devagar. Começou então a desenhar sua pintura, como se estivesse recriando uma boneca. Ainda assim, o tempo não passou.
Foi à cozinha, colocou algumas coisas no forno, conferiu os detalhes, certificou-se de que as bebidas estavam geladas. Assim, se distraiu e assustou quando o interfone tocou. Respirou fundo e foi abrir a porta. Era o correio. Maldita hora em que resolvem entregar cartas! Já que elas estavam atrasadas, começou a ler a carta vinda de um velho conhecido. Então, o interfone tocou novamente. Só poderiam ser elas. Sim, eram elas. Chegaram todas juntas! Foi uma festa, todas se abraçando, fofocas mil, como sempre foi. Sentaram no jardim, naquela cena de filme e lancharam em meio a risadas e histórias nostálgicas. Relembraram de um mundo de coisas e acabaram nas fotografias. Como eram jovens, cheias de vida. Sempre belas, curtindo as boates, abalando no clube, indo em mil e uma festas.
O tempo então passou voando, assim como havia passado naqueles 40 anos depois da formatura. É foi mais uma vez suficiente para mostrar que a verdadeira amizade sobrevive ao tempo, não importa o quão imenso ele for. Os verdadeiros amigos, podem passar anos sem se ver, mas quando acontece o reencontro, tudo é como antes. Assim como pra elas, aquele lanche em 2050 foi idêntico aos outros milhares feitos em 2006, 2007, 2008, 2009...

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